Lost

A few weeks ago, my friend Carlos invited me to climb the Pico Agudo Mountain. That’s a very beautiful place that I had always wanted to go. He told me we would go with his cousin and a friend of theirs, who had been there once, so they knew how to get there and that they would take everything needed and I shouldn’t worry about anything. My control freak instincts were tingling, but I had had such an absolutely busy week that I really didn’t have time at all to make any researches for this trip. Besides, I usually see things on the bright side and even when things go wrong, there are things to be enjoyed and lots of things to learn, I was more interested in doing exercises to lose weight and seeing the sunset and sunrise from above. So I’m cool with whatever comes. But yeah, thing is, we got awfully lost.

The hike, if started at the right place, should take two hours to get to the peak. We planned on going up, cooking dinner (chicken barbecue), enjoying the sunset, sleeping atop the mountain in a tent, enjoying the sunrise, going down and back home. We started off ridiculously wrong. Because they didn’t actually know the way.

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Algumas semanas atrás, meu amigo Carlos me chamou para escalar o Pico Agudo. Esse é um lugar muito bonito que eu sempre quis visitar. Carlos havia me dito que nós iríamos com seu primo e um amigo deles, que já haviam estado lá e sabiam chegar e que eles levariam tudo o que fosse necessário e eu não precisaria me preocupar com nada. Meu alarme de maníaca controladora estava apitando forte, mas eu havia tido uma semana realmente muito corrida e não tive tempo de pesquisar nada. E também eu fiquei pensando que mesmo se desse errado, teriam coisas boas para aproveitar e muito o que aprender, e eu estava mais interessada mesmo em fazer esforço físico e perder banhas, e ver o pôr e nascer do sol do alto, então eu estava de boa com o que quer que acontecesse. Mas é, nós nos perdemos foderosamente. 

A subida, se iniciada do ponto certo, demoraria duas horas para chegar ao pico. Os planos eram subir ao topo, fazer a janta (espetinho de frango), apreciar o pôr do sol, dormir na barraca, apreciar o nascer do sol, descer e voltar pra casa. Mas nós começamos ridiculamente errado. Porque na verdade os dois não sabiam o caminho.  

A-caminho-do-pico-agudo-01

This is the first photo I took. The hill they are facing, is the hill we climbed up and then down, and then we climbed up to this point where there were cows (!!!) so it was the cleanest place we stopped at. Everything else was dense and closed areas of forestlands full of thorns which we had to cut down using one large chopping knife. I took this photo at 4:30 in the afternoon and one hour later we were again deep in the woods, thick with with trees, ferns, thorny creeping plants, tall grass (over 2,5 meters high)… just it was now dark and we couldn’t see where we were going. Did I mention we went through lots of rattle snake nests and poisonous spiders? Did I also mention that I was the one keeping the good mood, never stopping to rest, not once complaining or nagging and always helping with whatever I could? I’m a good companion for that kind of shit, I’ll tell you that.  Even when at some point after over 8 hours lost in the woodlands my feet were hurting to the point I wanted to cry, the boys had given up and wanted to sleep in the middle of the forest, I was the one who got the chopping knife (there was no way I was going to stay where we were, there wasn’t even space enough to sit down!!) and started to cut wood and not even 2 meters ahead I found a trail path (they thought I was allucinating when I told them I found a newly cut trail, some other dumbass had got himself lost around there as well) which led us to the rocks right under the peak (but they were impossible to climb). But at least we had found a place to “sleep”. We had started the hike at 12 noon, and we found this resting place at almost 10 p.m. But I must mention how impressive my friend Carlos was as well. He was the strongest in the group and was the one cutting down woods the most, trying his best and helping in everything he could as well. João and Mastra helped too, but it was Carlos who did most of the very hard work.

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Essa foi a primeira foto que eu fiz. A colina que eles estão olhando é a colina que primeiro subimos e depois descemos (e nem era pra termos passado por essa colina) e depois subimos até esse ponto onde haviam vacas (!!!) então era a área mais limpa onde paramos. Por tudo o mais que passamos era mata fechada, densa com árvores e cipós cheios de espinhos e grama alta, também conhecido como colonhão, de mais de dois metros e meio de altura… só que às 17:30 já estava escuro na mata, não dava para ver nada, não sabíamos para onde estávamos indo. Eu já comentei que passamos por vários buracos de cobras (tem muita cascavel por lá) e aranhas como armadeiras e marrons? E que eu não abri a boca em momento algum para reclamar de nada e ainda estava de bom humor o tempo todo? Eu sou ótima companhia para essas ciladas, sem zoeira. Mesmo quando depois de andar 8 horas subindo barranco e descendo vale meus pés estavam num estado de dor lacerante que quase me fez chorar, os garotos tinham desistido de abrir mata e fui lá eu abrir mata com facão (não dava para ficar onde eles tinham desistido, não tinha nem espaço para sentar no chão!!), mas na real não abri nem dois metros de mata e achei uma trilha larga e recém aberta. Eles ficaram me zoando, achando que eu estava alucinando quando falei q tinha achado uma trilha grande. Essa trilha (que começava e terminava do nada!) nos levou até logo abaixo das rochas do pico. Não dava para subir (principalmente no escuro, não rolava mesmo), mas pelo menos achamos um lugar para “dormir”. Nós havíamos começado a caminhada ao meio dia e eram quase 10 da noite quando encontramos esse lugar para descansar. Mas eu devo mencionar que o Carlos também agiu de forma impressionante. Ele era o mais forte do grupo, foi o que mais abriu mata (e mais se machucou também, eu achei que ele fosse inclusive ficar doente com alguma infecção no monte de corte que ele fez pelo corpo todo) e ajudou em tudo o que ele podia. O João e o Mastra ajudaram bastante também, é claro, mas o Carlos foi quem fez a grande parte do trabalho duro.

A-caminho-do-pico-agudo-02

João stating the obvious: “We gotta go that way!”

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João falando o óbvio: “A gente tem que ir nessa direção!”

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We went through so many things this weekend, I’ll probably forget to mention 80% of it all. We were climbing on our fours on very steepy slippery lands, chopping wood and bush ropes in the dark, using three small penlights, we ran out of cooked food and water, we were painfully cut with all the thorns we met our way, but none of it was as hard as the night we spent atop a rock. The resting place we found, the base of the rock was very likely to have snakes, spiders and ants (we were actually stung by big black ants there, painful little fuckers) so I decided I wanted to sleep atop some rocks which were 6 meters higher up. We climbed it, but there wasn’t space to putting up a tent, so we put a large plastic around the rock, put on the somewhat warm sweaters we had taken, covered ourselves with a somewhat warm blanket Carlos had taken and then another plastic on top of us to keep off the dew. But obviously it wasn’t nearly enough to keep us warm. The wind is truly cruel up there, it came wuthering on us. The cold made us have such fiercely strong cramps, that literally twisted our muscles I really thought we wouldn’t be able to walk the next day. Carlos had saved a chocolate bar, which he made me eat a little, and that helped gain some energy back, obviously.

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Nós passamos por tanta coisa esse fim de semana, eu provavelmente vou esquecer de mencionar uns 80% de tudo o que aconteceu. Nós subimos de quatro boas partes de terra muito inclinada e escorregadia, no escuro cortando mata e cipó, usando três lanternas de bolso. Ficamos sem comida (cozida) e sem água, estávamos todos cortados de espinhos, mas nada disso foi tão foda quanto a noite que passamos no topo de uma pedra. A área abaixo da rocha tinha todo o jeito de ter muito bicho, como cobras, aranhas e formigas (na verdade fomos picados por formigas pretas grandes, com umas picadas fodidas de doloridas), então eu decidi que seria melhor dormir em cima de umas pedras que estavam uns 6 metros acima desse local. Nós subimos, mas não tinha espaço para montar a barraca, então colocamos um plástico por cima da pedra, os agasalhos mais ou menos quentes que levamos, o cobertor mais ou menos quente que o Carlos levou e outro plástico por cima para evitar a umidade do orvalho. Mas é claro que não foi nem perto do suficiente para nos mantermos aquecidos. O vento era realmente muito cruel lá em cima, veio rugindo pra cima da gente. O frio nos fez ter tantas câimbras furiosas, que literalmente torciam nossos músculos, que eu realmente achei que não iríamos conseguir andar no dia seguinte. O Carlos tinha guardado uma barra de chocolate e ele me fez comer um pouco, o que ajudou a recuperar as energias um pouco, obviamente.

Sunrise-at-pico-Agudo-02 Sunrise-at-pico-Agudo-03 Sunrise-at-pico-Agudo-04  Finally dawn came upon us and when we got enough light we got to see how stupidly wrong we had been with our path. Check it out.

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Finalmente o amanhecer sorriu para nós e quando tivemos luz suficiente nós vimos a cagada que a gente tinha feito e quão estupidamente errados estávamos com o caminho que fizemos. Saca só. 

Sunrise-at-pico-agudo

The point I’ve enlarged and you can’t actually see much, is where I parked my car.

1- Where I parked my car

2- Where we started climbing

3- Where I should had parked my car

4- Where we should had started climbing.

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O ponto que eu aumentei na foto e na verdade nem dá para ver muita coisa, é onde eu estacionei o meu carro.

1- Onde estacionei o carro

2-Onde começamos a escalar

3- Onde eu deveria ter estacionado

4-Onde nós deveríamos ter começado a escalar.

Sunrise Sunrise-at-pico-agudo-01-númerosSunrise-at-pico-agudo-01Sunrise-at-pico-Agudo-05 Sunrise-at-pico-Agudo-06 Sunrise-at-pico-Agudo-07 Sunrise-at-pico-Agudo-08Sunrise-at-pico-Agudo-09 Sunrise-at-pico-Agudo-10 Sunrise-at-pico-Agudo-11When the sun went up and it got warmer at around 8:30 a.m. we decided to start our way down to find our way back to the car. After about half an hour I started to hear voices. I told them and again they thought I was hallucinating… (…)

But soon the voices were closer and they heard it too, we followed the voices and after much struggle at 11:30 a.m. we met a very large group (50 people) climbing the mountain… through the right path, obviously. Even dead tired and thirsty and hungry we decided to follow them and reach the peak. A few of them were super kind and gave us water and cereal bars. We stayed on the top for about 40 minutes and down we went with the group, back to their cars and one of them took us to mine.  Back to the car we drank all the water I had left behind (which I thought we might need, just in case) and barbecued the chicken. 4 hours later we were back home, with a little bit less lard in the body and a lot of pain, but none of us angry or frustrated. We were actually proud of having pushed our limits… and survived.

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Quando o sol subiu e ficou mais quente, por volta das 8:30 nós decidimos começar a descida para encontrar o caminho de volta ao carro. Depois de uma meia hora eu comecei a ouvir vozes. Eu falei pros caras que tinha ouvido vozes e novamente eles acharam que eu estava alucinando… (…)

Mas logo as vozes estavam mais perto e eles começaram a ouvir também, nós seguimos as vozes e depois de muito esforço para atravessar a mata fechada, por volta das 11:30 nós encontramos um grupo grande (50 pessoas) subindo a montanha… pela trilha certa, é claro. Mesmo mortos de cansaço, fome e sede nós decidimos seguir montanha a cima com eles, porque não dava para ir até lá e não subir ao cume, né? Algumas pessoas do grupo foram super gentis e nos deram água e barras de cereais. Subimos, ficamos uns 40 minutos e descemos com o grupo até a base onde estavam os carros deles e um dos aventureiros nos levou até o meu carro. Quando chegamos ao carro, bebemos toda a água que eu tinha deixado lá para o caso de precisarmos, fizemos o churrasco de espetinho de frango. Quatro horas depois estávamos em casa, com um pouco menos de banha no corpo e muita dor, mas nenhum de nós bravo ou frustrado. Nós estávamos na verdade bastante orgulhosos por termos testado nossos limites… e sobrevivido.

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I was looking like a forest demon, not really feeling like taking photos haha

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Eu estava parecendo um demônio da floresta, não estava muito afim de fazer fotos haha

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Part of the group far away on the other end.

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Parte do grupo na outra ponta da rocha.

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Mastra (on the right) found a friend of his on the top of the mountain… it’s a small world, people…

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Mastra (do lado direito da foto) encontrou um amigo dele no topo… mundo pequeno, povo…

Pico-Agudo-07

Two quick lousy ass snapshots just to show the scenery around the mountain we climbed. Now I have to go back there one day to take proper good photos. My body and mind really weren’t at their best this time.

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Duas fotos bem sem-vergonha só para mostrar o cenário em volta da montanha que subimos. Agora eu tenho que voltar lá um dia para fazer umas fotos decentes. Meu corpo e mente não estavam no seu melhor dia dessa vez.

Pico-Agudo-08  The photos bellow I “stole” from Ary Parreira’s facebook, he’s one of the adventurers we met, and I am sharing here just to show how the “right trail” looked like, so you can try to imagine how our wrong trail was.

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As fotos abaixo eu roubei do facebook do Ary Parreira, um dos aventureiros que encontramos, e eu estou compartilhando só para mostrar como a “trilha certa” era, para vocês tentarem imaginar como a trilha errada era.

ação e aventura

The tall grass area which was in an “open trail area” and not as tall as the ones we faced.

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A área de grama alta (colonhão) na “trilha aberta” não era tão alta como as que encaramos.

ação e aventura 02 ação e aventura 03 ação e aventura 04 ação e aventura 05

I can only say I’m really happy we found them and I sincerely wish them illuminated days.

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Eu só posso dizer que fiquei muito feliz por termos encontrado esse pessoal e sinceramente lhes desejo dias iluminados.

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9 Responses to Lost

  1. Janacekian says:

    Beautiful sceneries, and an excellent read. It’s the trips that go wrong that one will have the most memories from, too – as long as one survives them😛

  2. Streetshooter says:

    Anna, you just sweep me away……don

  3. Aline Godoy says:

    Anna!! Parecia que eu estava lendo o capitulo de um livro de aventura e sobrevivência! Mas graças ao bom Pai tudo deu certo e com certeza você irá lembrar dessa aventura para sempre.🙂
    Ah! E como sempre, linda fotos!😉

  4. Kent Guindon says:

    Quite the adventure. At least you won’t forget it. I admire your spirit.

  5. strumsky says:

    So honestly proud of you, Anna — who you’ve become, who you’re becoming. The whole time I was reading I was grinning, at you and remembering my own “getting lost” foibles… Those were the ones I now see I “found” the most inside me. I bet you’ll soon think same.

    Must tell you, I love how something of your spirit comes through in your work. You seem to see (and make) things more than they are. Always up for exploring. Thanks for being you, Anna.

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